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Nos corredores da Faria Lima e entre os investidores atentos ao varejo, a venda do Midway Mall levantou sobrancelhas. Afinal, por que se desfazer de um ativo que, segundo apurado nos documentos mais recentes da companhia, opera com margens de lucro que o varejo de moda jamais sonharia em alcançar?
A análise fria dos números de 2024 revela que o shopping de Natal (RN) não é apenas um “imóvel”. É uma máquina de eficiência financeira. Enquanto o varejo luta centavo a centavo contra gigantes asiáticas e custos operacionais, o Midway entregou, silenciosamente, uma margem líquida próxima de 64% no último ano.
A venda do Midway foi transacionada em R$ 1,6 bilhão entre a Guararapes e a Capitânia Capital.
A “Vaca Leiteira” do Grupo

Para quem teve acesso aos números, o desempenho do Midway em 2024 foi de manual. A receita subiu 7,1% (acima da inflação), batendo R$ 115,6 milhões. Mas o dado que brilha aos olhos de potenciais compradores é a última linha do balanço: um lucro líquido de R$ 74,7 milhões.
Para colocar em perspectiva: o segmento de “Mercadorias” (lojas Riachuelo), que fatura 60 vezes mais que o shopping, teve prejuízo líquido operacional em 2024 de R$ 11,6 milhões. Ou seja: na prática, foi o lucro do shopping (somado à financeira) que ajudou a segurar o resultado consolidado e reverter o prejuízo do grupo no ano.
O Movimento Silencioso de Fevereiro
Um detalhe nos “Eventos Subsequentes” do balanço, datado de 28 de fevereiro de 2025, entregou o “pulo do gato” da preparação para a venda. Em uma Assembleia Geral Extraordinária, a Guararapes aprovou uma reorganização societária, transferindo a integralidade das cotas do Midway Shopping e da Midwest (a empresa criada só para gerir o estacionamento) para dentro da Lojas Riachuelo S.A..
No “tatiquês” corporativo, esse movimento de empacotamento do ativo costuma ser o prelúdio de uma transação, facilitando a estrutura para quem for assinar o cheque.
A Tese do “Destravar Valor”
A venda, portanto, não é sobre um ativo problemático. É sobre foco. A gestão Farber, que assumiu em 2023 , tem repetido o mantra de “eficiência” e “retorno sobre capital”.
A venda do Midway agora significa trocar um fluxo de caixa futuro (aluguéis e estacionamento) por uma injeção de capital imediata e bilionária. Com a dívida líquida já controlada em 0,3x EBITDA, esse dinheiro entra “limpo” no caixa. O objetivo? Blindar a Riachuelo para a guerra do varejo, focar na expansão digital e física e, possivelmente, distribuir dividendos gordos aos Rocha.
O Midway não está à venda por estar doente. Ele está à venda porque nunca esteve tão saudável — e é justamente agora que ele vale mais.
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