O brasileiro está pagando mais caro na feira por causa de uma guerra do outro lado do mundo. O conflito no Oriente Médio disparou o preço do diesel no Brasil, e o efeito cascata já chegou ao agronegócio — e ao bolso de quem compra comida.
Um levantamento do banco Rabobank mostra como essa equação funciona na prática: cada real a mais no litro do diesel pode encarecer a tonelada de soja em até R$ 13. Para o consumidor final, isso significa conta mais alta no supermercado.
O efeito dominó começou longe daqui
O problema começou com as tensões no Oriente Médio e o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde passa boa parte do petróleo mundial. Mesmo estando a milhares de quilômetros de distância, o Brasil sente o baque porque importa entre 25% e 30% do diesel que consome.
Em março, a Petrobras subiu o preço do combustível nas refinarias em R$ 0,38 por litro. Os postos privados seguiram a onda dos reajustes internacionais. Entre janeiro e março, estados com forte agronegócio — Bahia, Tocantins, Paraná, Goiás, Minas Gerais e São Paulo — viram o diesel subir mais de R$ 1 por litro. Em algumas regiões, a alta chegou a R$ 2.
Da bomba do posto à mesa do brasileiro
O diesel mais caro atinge o produtor rural em cheio. Além de elevar os custos na propriedade, encarece drasticamente o transporte da produção até os portos — e o Brasil depende principalmente das estradas para escoar grãos.
Os números impressionam: na rota entre Rondonópolis (MT) e o porto de Santos (SP), cada real a mais no diesel pode elevar o frete em R$ 55 por tonelada de grãos. No trajeto entre Cascavel (PR) e Paranaguá (PR), o impacto é de R$ 24 por tonelada.
Na prática, mesmo que o preço internacional dos grãos se mantenha estável, o produtor recebe menos pela sua safra. E quem paga a conta no final é o consumidor.
Governo tenta segurar a onda
Para conter o estrago, o governo federal suspendeu alguns tributos sobre o diesel e criou subsídios temporários. Estão em discussão medidas como incentivos para importadores e até mudanças na mistura obrigatória de biodiesel.
Mas o banco avalia que o cenário ainda é instável. A duração do conflito no Oriente Médio, as oscilações do câmbio e a eficácia das políticas públicas vão definir para onde vão os preços nos próximos meses.
O impacto no RN
Para o Rio Grande do Norte, que depende do transporte rodoviário para receber insumos e escoar a produção agrícola, o diesel caro representa um duplo golpe. Encarece tanto os produtos que chegam de outros estados quanto eleva os custos para transportar a produção local — de frutas, castanha e outros itens — para os centros consumidores.
O resultado é que o potiguar sente no bolso um problema que começou bem longe daqui, mas que chegou à mesa de todo mundo através do preço dos alimentos.
Com informações da CNN Brasil.
https://www.cnnbrasil.com.br/agro/diesel-mais-caro-pressiona-logistica-e-producao-do-agro-aponta-rabobank/
Entre no grupo do Blog do Dina e receba tudo antes de sair no site.



