Uma dose de esperança contra o câncer por mais de R$ 20 mil. É o preço do Keytruda no Brasil, um imunoterápico que já salvou milhões de vidas desde 2014, mas que permanece inacessível para a maioria dos pacientes que precisam dele.
A farmacêutica americana Merck Sharp & Dohme (MSD) faturou R$ 800 bilhões com o medicamento em apenas 10 anos. Só em 2025, foram R$ 160 bilhões em receita — quase metade de todo o faturamento da empresa.
Enquanto isso, distribuiu R$ 375 bilhões em dividendos aos acionistas e gastou mais R$ 215 bilhões recomprando as próprias ações. O sucesso financeiro, porém, não reduziu um centavo do preço para quem luta contra o câncer.
O sistema que decide quem vive
Uma investigação internacional envolvendo 47 veículos jornalísticos revelou como a MSD usa uma combinação de estratégias legais e comerciais para controlar o acesso ao medicamento. Na prática, a empresa decide quem terá uma chance na luta contra a doença através de preços, patentes e marcos regulatórios.
O Keytruda é aprovado para tratar pelo menos 19 tipos de câncer e pertence a uma nova geração de imunoterápicos que revolucionaram o tratamento oncológico. Em muitos casos, transformou diagnósticos fatais em doenças controláveis.
Pressão nos sistemas de saúde
Os custos variam pelo mundo, mas sempre pesam. Nos Estados Unidos, o tratamento anual chega a US$ 208 mil (mais de R$ 1 milhão). Na Alemanha são US$ 80 mil. Na Colômbia, US$ 130 mil. Mesmo países ricos sentem o impacto nos orçamentos públicos de saúde.
No Brasil, as vendas do medicamento explodiram 265% entre 2020 e 2024, chegando a US$ 753,7 milhões. No México, o aumento foi de 491%. Na Turquia, 584%.
Pesquisas no Reino Unido mostram que, em alguns casos, o Serviço Nacional de Saúde paga cinco vezes mais pelo Keytruda do que seu custo-benefício justificaria para determinados pacientes com câncer de pulmão.
O dilema brasileiro
No Brasil, o alto custo sobrecarrega tanto o SUS quanto pacientes que dependem de planos de saúde ou recursos próprios. A pressão é dupla: de um lado, um medicamento que salva vidas; do outro, valores que poucos conseguem pagar.
Mesmo com a promessa do presidente americano Donald Trump de pressionar a indústria farmacêutica por reduções de preços, a MSD não se comprometeu publicamente com qualquer corte no valor do Keytruda.
O medicamento se tornou um dos maiores sucessos financeiros da história da indústria farmacêutica. A questão que fica é: até quando o preço da esperança continuará sendo decidido apenas pela capacidade de pagamento?
Com informações de G1.
https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/04/15/o-remedio-de-bilhoes-contra-o-cancer-que-poucos-conseguem-pagar.ghtml
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