O que você vai ler:
Está circulando novamente nas redes sociais a história de que um homem teria sido preso em Jataí, Goiás, por vender mosquitos contaminados com o vírus da dengue. De acordo com as postagens, o objetivo do suspeito seria contaminar pessoas para que elas pudessem conseguir atestados médicos e se afastar do trabalho por mais de sete dias. O texto diz ainda que, ao ser preso, o homem teria confessado o crime e entregado uma lista com nomes de possíveis envolvidos no esquema.
A checagem dos fatos
Não há qualquer registro oficial que confirme a veracidade dessa história. Nenhum boletim de ocorrência, decisão judicial ou reportagem de veículo de imprensa confiável relata uma prisão com essas características. O suposto caso também não foi noticiado pela imprensa local de Jataí, tampouco por portais de notícias do estado de Goiás.
Além disso, o texto que circula nas redes sociais não fornece o nome do suspeito, detalhes da operação ou quaisquer informações adicionais. Trata-se de uma narrativa que só aparece em postagens anônimas e, sempre, com o mesmo conteúdo copiado e colado, o que reforça o padrão de fake news reciclada.
A origem do boato
Essa história, na verdade, já circula na internet há quase uma década. Desde pelo menos 2015, versões semelhantes aparecem em blogs de humor e páginas satíricas — uma delas, inclusive, foi rastreada até um site que já saiu do ar. Com o passar do tempo, a piada foi sendo descontextualizada e reaproveitada como se fosse um caso real, o que voltou a ocorrer agora com o aumento dos casos de dengue no Brasil.
É possível alguém vender mosquito da dengue em casa?
A própria lógica da história não se sustenta. O mosquito Aedes aegypti não nasce já infectado com o vírus da dengue. Para se tornar transmissor, ele precisa primeiro picar uma pessoa contaminada, passar por um período de incubação e, só então, torna-se capaz de transmitir a doença. Esse processo não é imediato nem fácil de controlar — especialmente em ambiente doméstico.
Além disso, mesmo que fosse possível “criar” mosquitos infectados em casa, essa prática envolveria crimes ambientais e de saúde pública. E, se tivesse realmente ocorrido, certamente haveria registros legais, investigações e cobertura da imprensa, o que não é o caso.

O veredito
A história de que um homem foi preso em Jataí (GO) por vender mosquitos da dengue para ajudar pessoas a conseguirem atestados médicos é falsa. Não há qualquer comprovação policial ou jornalística, e o conteúdo já circula há anos como uma piada que foi desvirtuada com o tempo. Trata-se de mais uma fake news alimentada pelo contexto de surto de dengue e pela falta de verificação antes do compartilhamento.
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