presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann, revelou uma série de inovações que o instituto está estudando para implementar nos próximos anos. Entre as novidades, destacam-se a coleta de preços para índices de inflação via notas fiscais eletrônicas e a análise dos impactos da internet no mercado de trabalho, como o surgimento de influenciadores digitais e jogadores online entre as novas ocupações dos jovens brasileiros.
Parceria com Big Techs e Acesso a Dados Digitais
Em evento realizado no Rio de Janeiro nesta quarta-feira (21), Pochmann destacou que o IBGE está em diálogo com grandes empresas de tecnologia, tanto dos Estados Unidos quanto da China, para acessar informações dos usuários coletadas por essas corporações. Ele garantiu que o sigilo estatístico será mantido, conforme a legislação vigente, e que essas informações são essenciais para capturar a realidade econômica e social impulsionada pela internet.
“Estamos em um processo de convencimento para que as big techs colaborem conosco da mesma forma que as empresas tradicionais já fazem”, disse Pochmann, apontando que o acesso a esses dados permitirá ao IBGE fornecer informações mais precisas e relevantes para a formulação de políticas públicas.
Integração de Dados e Economia Digital
O presidente também mencionou esforços para que o IBGE tenha acesso a dados gerados por concessões estatais, como movimentação de cargas e tráfego em rodovias, informações que atualmente não são exploradas estatisticamente. Além disso, Pochmann falou sobre a criação de um sistema nacional de estatísticas que integrará diferentes bancos de dados já existentes, permitindo uma análise mais harmonizada e consistente de informações provenientes de diversas fontes.
O instituto também planeja avançar em pesquisas sobre a economia digital, focando no impacto da internet no trabalho e na economia, com destaque para o Censo Demográfico de 2030, que promete métodos de coleta mais modernos e econômicos.
Novo Olhar sobre o Mercado de Trabalho Jovem
Um ponto de atenção para o IBGE, segundo Pochmann, é a transformação do mercado de trabalho juvenil, especialmente com o surgimento de novas ocupações digitais. Ele destacou que a participação dos jovens no mercado ainda não retornou aos níveis pré-pandemia, e que há necessidade de entender melhor como as novas profissões digitais, como influenciadores e jogadores online, estão alterando a percepção do que é trabalho.
“Precisamos capturar melhor esse tipo de informação para que as decisões políticas possam ser feitas com base em dados precisos e atualizados”, explicou o presidente do IBGE. No entanto, ele reconheceu que ainda não está claro se essas novas ocupações poderão ser incluídas na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) ou nos índices de inflação.
Inovações em Estudos de Preços e Inflação
Pochmann também revelou que o IBGE estuda a possibilidade de capturar preços para os índices de inflação diretamente das notas fiscais eletrônicas, substituindo o método tradicional de coleta. “Essa mudança pode significar uma importante evolução no modo como medimos a inflação no país”, concluiu.
O Dina Explica: As inovações propostas pelo IBGE refletem a necessidade de adaptar as metodologias de coleta e análise de dados às rápidas mudanças tecnológicas e sociais. A digitalização da economia e a emergência de novas profissões entre os jovens representam desafios para a mensuração estatística, mas também oportunidades para fornecer dados mais detalhados e relevantes sobre a realidade brasileira.
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