O governo federal desembolsou cerca de R$ 2 milhões para contratar influenciadores digitais e artistas em campanhas publicitárias desde que Sidônio Palmeira assumiu o comando da Secretaria de Comunicação Social (Secom).
A mudança de estratégia chama atenção porque contrasta com declarações anteriores do próprio governo. Paulo Pimenta, antecessor de Sidônio na Secom, havia afirmado em 2023 que a gestão não trabalhava com “influenciadores pagos”.
Os maiores cachês
A atriz Dira Paes foi quem mais recebeu: R$ 470 mil por participar da campanha do aplicativo Celular Seguro, que ajuda vítimas de furto a bloquear aparelhos roubados. Ela integra o “Conselhão” do governo e chegou a interpretar dona Lindu, mãe de Lula, no Carnaval deste ano.
O carnavalesco Milton Cunha ficou em segundo lugar, embolsando R$ 310 mil para divulgar o programa “Agora Tem Especialistas”, do Ministério da Saúde. Os vídeos dele exaltavam o aumento de cirurgias no SUS para o público carioca.
Além dos grandes nomes, pelo menos 55 influenciadores digitais receberam valores que variaram de R$ 1 mil a R$ 124,9 mil para divulgar ações governamentais.
Parceria com big techs
Outros 12 influenciadores participaram das campanhas sem receber pagamento direto do governo, mas através de parcerias com plataformas digitais contratadas pela Secom.
O apresentador João Kleber, por exemplo, estrelou a propaganda sobre “Teste de Fidelidade ao Brasil” através de parceria com o Kwai. A plataforma chinesa recebeu pelo menos R$ 19,5 milhões em anúncios governamentais no último ano.
Revolução digital na comunicação oficial
Sob o comando de Sidônio, a Secom redirecionou mais de 30% da verba publicitária para sites e plataformas digitais, contra cerca de 20% na gestão anterior. Os canais digitais receberam pelo menos R$ 234,8 milhões dos cerca de R$ 681 milhões distribuídos em anúncios.
A secretaria justifica a estratégia pelos “novos hábitos de consumo de mídia dos brasileiros”, destacando o aumento do tempo dedicado às redes sociais.
Comparação com Bolsonaro
O governo Bolsonaro também contratou influenciadores entre 2019 e 2021, gastando pelo menos R$ 670 mil (valores corrigidos pela inflação). A prática foi interrompida após questionamentos, especialmente por conteúdos defendendo o “tratamento precoce” contra Covid-19.
Os dados sobre os cachês só vieram à tona após pedido via Lei de Acesso à Informação. Inicialmente, a Secom revelou apenas os nomes. Os valores só foram divulgados após ordem da Controladoria-Geral da União.
Com informações de UOL.
Entre no grupo do Blog do Dina e receba tudo antes de sair no site.



