O presidente Lula transformou a identidade nordestina em estratégia diplomática ao responder às pressões de Donald Trump. Em discurso nesta sexta-feira (10), o petista foi direto: se o americano conhecesse a força de um nordestino irritado, pensaria duas vezes antes de ameaçar o Brasil.
“Trump não sabe o que é um pernambucano. Se ele soubesse da minha descendência com Lampião, tomava muito cuidado”, declarou Lula durante visita ao campus do Instituto Federal em Sorocaba, interior paulista.
A provocação não é nova. Desde o início do ano, Lula vem usando a figura do rei do cangaço como resposta às investidas trumpistas. Só que agora o tom ficou mais assertivo, com o mundo mergulhado em tensões crescentes.
O cangaço como diplomacia
Não é por acaso que Lula evoca Lampião. O cangaceiro simboliza resistência, coragem e a capacidade nordestina de enfrentar adversários mais poderosos — exatamente o que o presidente quer transmitir nas relações com Washington.
“Se ele soubesse o que é um nordestino nervoso, não brigaria com o Brasil”, completou o presidente, antes de fazer a ressalva diplomática: “De qualquer forma, não queremos guerra. Queremos paz”.
A estratégia é clara. Lula projeta força sem partir para o confronto direto, usando elementos culturais que Trump provavelmente desconhece para criar um jogo psicológico nas negociações.
Tensão global em alta
O recado de Lula acontece em meio ao agravamento das tensões globais. Trump elevou o tom contra o Irã nesta mesma sexta, dizendo que os iranianos “só estão vivos hoje para negociar” e ameaçando reagir caso as conversas fracassem.
Representantes americanos e iranianos se reúnem no Paquistão a partir deste sábado, tentando manter um cessar-fogo frágil no Estreito de Ormuz — por onde passa 20% do petróleo mundial.
Para o Brasil, essas turbulências internacionais complicam a agenda bilateral com os Estados Unidos. O encontro entre Lula e Trump na Casa Branca, inicialmente marcado para março, segue sem data definida.
Brasil como terra de paz
Mesmo usando linguagem firme, Lula reforçou o posicionamento pacifista do Brasil. “Queremos ter acesso à cultura, passear, estudar, namorar, brincar. Só queremos coisa boa”, disse.
“Quem quiser guerra, vai para o outro lado do planeta porque aqui somos a terra de paz e do amor”, emendou o presidente, num recado claro para quem está prestando atenção em Brasília.
Enquanto isso, o Ministério da Fazenda trabalha nos bastidores para concluir uma parceria entre a Receita Federal e a agência de fronteiras americana no combate ao crime organizado — uma forma de manter diálogo prático mesmo em tempos de turbulência diplomática.
No fim das contas, Lula faz o que sempre fez: usa a esperteza nordestina para navegar em águas turbulentas. E Lampião, mesmo décadas depois, continua sendo uma carta na manga da diplomacia brasileira.
Com informações do G1.
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