A decisão da Operação Mederi detalha os métodos sofisticados e rudimentares utilizados pela organização criminosa para lavar mais de 12 milhões de reais sacados em espécie. Uma das descobertas mais alarmantes foi a utilização da conta bancária de uma menor de idade, Rayca Mariana, filha do sócio da empresa investigada. A conta da jovem recebeu mais de 400 mil reais em depósitos fracionados em dinheiro vivo, uma tática para tentar burlar os controlos do COAF.
Para movimentar o dinheiro físico, o grupo recorria a métodos caseiros. Mensagens intercetadas entre os sócios citam o armazenamento de grandes quantias em caixas térmicas: “pegar 10 (mil) aqui que eu tenho no isopor”, diz um dos trechos. A PF encontrou também registos de dinheiro guardado em gavetas na sede da empresa, evidenciando o fluxo intenso de numerário à margem do sistema bancário.
Ao perceberem que poderiam ser alvo de uma investigação, os líderes da organização agiram rapidamente para blindar o património. A decisão narra a criação da “MS Empreendimentos”, uma Holding constituída à pressa com o objetivo explícito de proteger os bens contra apreensões judiciais. Nos áudios, os investigados comparam a sua estratégia à do apresentador “Silvio Santos” para evitar perdas patrimoniais.
Além disso, a investigação identificou o uso de empresas de fachada, como um posto de combustíveis e uma empresa de gás em nome de “laranjas”, para emitir notas fiscais frias e justificar a entrada de recursos ilícitos. Essas manobras, segundo a Justiça Federal, demonstram o dolo e a organização profissional do grupo para ocultar a origem criminosa dos milhões desviados da saúde pública.

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