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A divulgação do Circuito Cultural de Ulianópolis, no Pará, ganhou projeção nas redes sociais, mas não exatamente pelo que a prefeitura esperava. O vídeo oficial do evento — totalmente criado com inteligência artificial — chamou atenção pelo visual cinematográfico e o tom épico, mas também foi duramente criticado por deixar o fator humano de fora.
Locução sintética, imagens digitais e nenhum ator ou equipe de filmagem. A escolha de fazer tudo com inteligência artificial dividiu opiniões e levantou uma pergunta: é possível representar uma festa popular sem pessoas reais?
IA no comando: o que tinha (e o que faltava) no vídeo
O vídeo institucional anunciava os três dias de evento na Praça dos Três Poderes, com concursos de quadrilha, shows e cavalgada. Esteticamente, o resultado impressiona: tomadas em estilo cinematográfico, narrativa épica e efeitos que remetem a trailers de cinema.
Mas o uso exclusivo da inteligência artificial gerou desconforto. Uma usuária resumiu o sentimento de parte do público: “Mesmo com a produção bem feita, é preciso deixar claro que é uma IA. Isso logo será lei”. Outro comentário foi direto ao ponto: “Cultura é feita por pessoas. Nenhum ator, figurinista ou cinegrafista foi contratado”.
Profissionais do audiovisual reagiram
Para quem trabalha com produção cultural e audiovisual, o vídeo foi visto como um alerta. Comentários como “ofensivo”, “desrespeitoso” e “desumanizador” se multiplicaram. “Se há algo que não pode ser automatizado, é a alma de uma festa popular”, escreveu um técnico de iluminação no X (antigo Twitter) contra o uso da inteligência artificial.
Do lado de quem produziu
O responsável pela campanha, o produtor Renato Lopes Ferreira, compartilhou um “making of” bem-humorado com erros de gravação simulados — também gerados pela inteligência artificial. Segundo ele, foram mais de 80 versões até chegar ao vídeo final. O processo usou o ChatGPT para criar os prompts descritivos e o Veo 3, novo modelo de geração de vídeo do Google, para gerar as cenas. A finalização foi feita com Adobe Premiere e After Effects.
Apesar da controvérsia, Renato recebeu elogios nas redes pelo resultado técnico. “Gênio, parabéns!”, “Arrebentou demais!” e “Me inspirou a fazer um vídeo pro condomínio onde moro” foram alguns dos comentários positivos.
Afinal, o que é o Veo 3?
O Veo 3, lançado pelo Google em maio de 2025, é um modelo de inteligência artificial capaz de gerar vídeos em até 4K de resolução, com narração embutida, cenários dinâmicos e iluminação realista. Ele representa um salto na criação de conteúdo sintético, e já está sendo testado em diversas áreas — de publicidade a entretenimento.
Foi mais barato mesmo?
A influenciadora Gabrielle Tedeschi levantou outro ponto: o custo. Segundo ela, o vídeo teria custado apenas R$ 300, enquanto uma produção tradicional sairia por no mínimo R$ 10 mil. Mas há ressalvas. Só a assinatura do Veo 3 Ultracusta mais de R$ 1,2 mil por mês, sem contar os softwares de edição — Adobe Premiere e After Effects, que somam cerca de R$ 400 mensais. A versão mais simples do Google AI custa R$ 96,99, mas tem limitações.
Ou seja, não é tão barato assim — embora continue mais acessível do que uma campanha filmada com equipe completa.

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