O deputado federal Sargento Gonçalves garantiu que manterá em seu gabinete o assessor Marcelo Luiz Alves de Jesus, investigado por terrorismo, independentemente do resultado da investigação. Antes de seguir com a reportagem preciso abrir um parêntese.
Há alguns dias, Sargento Gonçalves foi ao Jornal das 6. Ele queixava-se que o programa Meio-dia RN, de Bruno Giovanni, e o Jornal das 6, especificamente Gustavo Negreiros e Renato Cunha Lima, falavam demais dele, sem direito a contraponto. E assim ele foi à bancada.
Atravessei a entrevista em silêncio. Achei que não deveria me meter num pedido de direito de resposta que não tinha sido gerado por declarações minhas, mas cometi o equívoco de não perguntar sobre o assessor do deputado, que já havia esquecido e sobre quem, semanas atrás, eu comentara no ar sobre uma investigação o envolvendo.
Eu concordo inteiramente com um ponto do que Sargento Gonçalves disse: ninguém deve ter sua fé ridicularizada. Isso não é salvo-conduto para não ser criticado, no entanto. Mas a incapacidade da esquerda dialogar com os irmãos evangélicos, mais, tripudiar deles, explica como essa parcela do eleitorado terminou no colo de Bolsonaro.
Tão logo a entrevista foi encerrada, o deputado virou-se para mim: Estava esperando que você falasse da investigação de Marcelo. Seguiu-se uma acalorada explanação por parte do deputado. E tudo que perguntei foi: posso usar isso para uma matéria? Ele disse que sim.
Fecho parêntese
O Assessor E A Investigação Por Terrorismo
A Polícia Federal pediu a quebra dos sigilos de dados de Marcelo Luiz Alves de Jesus, nos autos da ação que corre na 2ª Vara Federal de Natal. A peça que resume o caso descreve que o processo se trata de apuração terrorismo, manutenção ou financiamento de terrorismo.
O deputado Sargento Gonçalves, fora dos microfones, afirmou que ele, Marcelo e sua equipe souberam da investigação quando eu a mencionei no ar, e insinuou que eu tivera acesso privilegiado a informações para prejudicá-lo. Dispusesse eu de acesso a inquéritos sigilosos da Polícia Federal, faria outras coisas dada a relevância das informações.
A informação de que Marcelo é alvo da PF encontrei enquanto fazia uma busca para uma matéria sobre Wendel Lagartixa, que é o segundo investigado do caso de Marcelo. Ao me deparar com o registro público do pedido de quebra de sigilos contra Wendel e alguém para mim completamente desconhecido, fiz o que qualquer jornalista faria: “Quem é esse Marcelo?” E fui investigar.
Tal registro, continua público. Até este texto ir ao ar essas inforamações, que são geralmente sigilosas, continuavam disponíveis no JusBrasil (imagem abaixo). Você pode consultá-las clicando aqui – a versão mais completa desta página pode estar disponível apenas para assinantes.

Sargento Gonçalves Diz Que Assessor Fica
Não pude avançar além do que se está no JusBrasil. Até tentei saber qual o terrorismo em questão. Pode se tratar dos atos de 8 de janeiro de 2023, mas é impossível afirmar isso categoricamente.
Sargento Gonçalves afirmou que qualquer que seja o resultado da apuração manterá Marcelo em seu gabinete.
Corajoso da parte do deputado dar tal garantia sem saber exatamente o que está sendo apurado.
Independentemente de sua crença em um sistema judicial justo ou não, o tribunal das redes sociais, com o qual o deputado certamente se importa, pode ser influenciado pelas revelações que esse caso venha trazer.
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