Gravações de câmeras corporais obtidas pelo Fantástico desmontam a versão oficial sobre a morte do empresário Daniel Patrício Santos Oliveira, de 29 anos, baleado por policiais militares na Pavuna, zona norte do Rio, na madrugada de 22 de abril.
Os vídeos mostram que os PMs monitoravam Daniel há mais de uma hora antes de matá-lo. Depois dos disparos, as mesmas câmeras corporais flagraram os policiais combinando como justificar a ação — uma versão falsa de legítima defesa que seria repetida na delegacia.
Uma perseguição de mais de uma hora
As gravações começam às 1h53. Os policiais já acompanhavam o carro de Daniel, que voltava de um pagode com três amigos. Eles recebiam informações em tempo real sobre o trajeto, com indicações de ruas e pontos para interceptação.
Por volta de 2h54, novas mensagens reforçaram a localização do veículo. Os PMs se posicionaram estrategicamente numa rua da região, aguardando a chegada do empresário. Não foi uma abordagem de rotina — foi uma operação planejada.
Quando o carro entrou na via, não houve bloqueio, blitz ou sinalização de parada. Também não se ouve ordem para o motorista parar. Mesmo assim, um dos policiais avançou a pé e disparou várias vezes de fuzil contra o veículo.
A combinação da versão falsa
Daniel foi atingido na cabeça e morreu no local. As câmeras corporais então registraram os próprios PMs discutindo como relatar a ocorrência.
Em diferentes momentos, eles mencionam termos como “tentativa de abordagem”, “troca de tiros” e “legítima defesa” — versão falsa que seria repetida por telefone e na delegacia.
Os vídeos, porém, não mostram indícios de confronto armado nem de tentativa de atropelamento. O que se vê é uma execução seguida da construção de uma narrativa para justificá-la.
Indiciamento por homicídio doloso
Os dois policiais foram indiciados por homicídio doloso. A Corregedoria da Polícia Militar baseou a decisão na análise das gravações das câmeras corporais.
O caso está sendo investigado pelo Ministério Público, que busca esclarecer a motivação da ação. O governo estadual determinou o pagamento de indenização à família e ofereceu acompanhamento psicológico.
Daniel era casado, tinha uma filha pequena e se preparava para se mudar com a família para Foz do Iguaçu. Os familiares pedem justiça e cobram que todas as circunstâncias da morte sejam esclarecidas.
Com informações do G1.
https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/04/27/videos-contradizem-versao-de-pms-sobre-morte-de-empresario-na-pavuna.ghtmlEntre no grupo do Blog do Dina e receba tudo antes de sair no site.



